
Era uma vez um periquito chamado Prikito. Ele vivia na casa de dona Joana, uma senhora de 73 anos muito simpática mas que tinha um sério problema de dicção: ela era gaga e fanha, uma tristeza de ouvir. Quando ficava nervosa, os dois problemas se agravavam e não dava para diferenciar se ela estava brigando, se lamentando ou chorando. Enfim, Prikito era um animalzinho verde com algumas manchas amareladas e fazia muito barulho.
Certo dia, pela janela do sobrado onde ficava a gaiola do bichinho, viu-se um gato preto, muito malvado chamado Tião. Não contente com os ratos da vizinhança, o felino havia decidido tentar comer o Prikito e matar sua fome agigantada. E assim ele fez, correu pelo muro, pulou pelas trepadeiras da parede e subiu até a varanda, se esgueirou pelo chão e chegou até a porta. Rapidamente ele entrou no quarto de música da velha Joana e rodeou o cômodo. Passou pelo sofá, pelo carpete, pelo banco, pelo baú, pelo piano, pulou na estante e soltou na gaiola, derrubando Prikito e abrindo a portinhola.
Foi uma zona, Prikito tentava sair da gaiola e voava apertado lá dentro e Tião, o malvado gato, enfiava a pata na gaiola tentando pegar o passarinho. Quando Prikito conseguiu sair da jaulinha, o gato deu um salto e agarrou o pobre pássaro fujão, jogando-o no chão e comendo o infeliz.
Isso aconteceu há um ano, Prikito nega, mas as fofocas dizem que eles se encontram pelo menos duas vezes por semana desde então.
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do jeito que o mundo tá indo, essa inda foi maneira.
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